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terça-feira, 11 de novembro de 2008

TECNOLOGIA E A FORMAÇÃO HUMANA

A TECNOLOGIA E A FORMAÇÃO HUMANA

Estamos vivenciando um momento em que o dinamismo tecnológico é, claramente percebido em todas as camadas sociais e a escola não poderia deixar fora de seu cotidiano instrumentos de trabalho tão úteis e significativos.
Em nenhuma outra área da educação tem havido tanto progresso quanto na tecnologia. Mas talvez nenhuma delas padeça tanto do problema descrito por Einstein, como esta: meios sofisticados e aperfeiçoados, mas fins confusos.
No início das civilizações o homem andava a pé apoiando em um cajado, hoje pode viajar em ônibus interplanetários totalmente computadorizados. Se o homem utiliza mal o seu cajado o dano é pequeno. Uma geração inteira, que tenha nas mãos os recursos poderosos que a moderna tecnologia oferece, mas que não saiba o que fazer com eles pode destruir a raça humana.
À primeira vista, parece evidente que as ciências oferecem dados concludentes sobre toda e qualquer realidade. Mas, um dos pressupostos básicos das ciências consiste justamente em desconfiar das evidências. Existe um cientificismo quando se idolatra a ciência. Ela não existe separada do cientista, então a própria ciência é condicionada a uma ideologia.
Sempre há uma conotação sócio-cultural e ideológica. É necessário que se faça uma interpretação das ciências para que, de fato, se tenha elementos válidos. Os dados da ciência precisam ser também confrontados com a história para se ver quanta besteira se falou e quanto mal, à humanidade, se fez em nome da ciência.
Cientistas e técnicos em todos os tempos são postos a serviço do poder. Não existe neutralidade, em toda e qualquer ação, esta sempre é embasada por uma ideologia ou para libertar ou para dominar. Esta questão está muito bem definida na obra de Anderson e Bazin quando nos dizem: "As invenções não nascem do nada e para nada; idéias novas" não caem do céu; são parte de um todo de atitudes, maneiras de pensar e idéias feitas sobre a realidade; tudo isto contribuiu para a formação do que se chama uma ideologia".
Ao terem a consciência despertada para a não neutralidade das ciências, sociólogos começaram a despertar para este fato e disseminar suas idéias entre os povos, principalmente do Terceiro Mundo, dominados e alijados da compreensão do significado real de toda essa potência cientifica e tecnológica, criada pelo poder capitalista do Primeiro Mundo.
Nós, educadores, do Terceiro Mundo, temos o desafio de uma prática educativa que mostre a ciência e a tecnologia como um instrumental para emancipar, para atender as necessidades da população, tornando as pessoas mais sujeitos do seu processo histórico.
A era da tecnologia, da informação é um fato consumado e a cada dia nossos alunos estão mais antenados. Graças à tecnologia as histórias e notícias deixaram de ser privilégio de poucos e o que vale não é apenas possuí-las, mas interpretá-las e eles precisam de nossa ajuda para fazê-lo adequadamente. Necessitamos favorecer o potencial reflexivo, não somente o posicionamento convergente e analítico, mas também divergente e intuitivo de nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos. É a perspectiva da transformação a nível pessoal, social, educacional.
A tecnologia está na escola e este fato exige do educador um posicionamento, considerando que a qualidade de ensino está diretamente ligada ao compromisso com a socialização do conhecimento e a formação para uma cidadania consciente, ativa e crítica. Não podemos nos manter alienados, fingindo que tudo vai bem como está. O computador se tornou presente e é sabida a importância deste como ferramenta facilitadora do processo cognitivo. Precisamos vencer nossa resistência e buscarmos bases tecnológicas para nos apropriarmos desta ferramenta para melhorar nosso fazer pedagógico. É importante compreender melhor o nosso papel enquanto educadores dentro do espaço informatizado. Em muitas escolas esses recursos não estão sendo utilizados como deveriam pela falta de capacitação dos professores para um trabalho mais produtivo. Esta tecnologia precisa ser pensada e transformada em uma tecnologia construtiva e é aí que entra o papel da Universidade oferecendo cursos de qualificação e formação aos docentes.
Portanto a educação deste milênio além de preparar um novo cidadão para uma sociedade em mudança deverá prepará-lo para que seja capaz de propor novos serviços ou ingressar nessa nova categoria de trabalho e principalmente de se integrar em uma economia globalizada, baseada em conhecimentos, na qual este será o recurso mais crítico para o sucesso social e econômico.
Então a educação para alcançar uma dimensão democrática e de justiça social precisa compartilhar o currículo escolar com as necessidades das pessoas diante das respectivas possibilidades, além de considerar as diversas culturas, as diferentes realidades e as singularidades pessoais.
Da mesma forma que a tecnologia, por si só, não resolverá, para nós, os problemas em educação que nos confrontam, dificilmente conseguiremos resolvê-los sem a ajuda dessa ferramenta. Por isso, encontrar formas de fazer bom uso da tecnologia, utilizando-a como recurso que auxilie na emancipação e promoção social, tanto na educação formal como na não-formal, é uma das tarefas urgentes que se nos impõem. Como disse Paulo Freire: "A Educação por si só não transforma a sociedade, mas sem a Educação, a sociedade não se transforma".

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